Qual é afinal o alvo a atingir quando, durante dez noites de violência ininterrupta, se incendeiam carros, não importa de quem, até do próprio vizinho ou do próprio pai, se incendeiam lojas, armazéns, autocarros, escolas, bibliotecas, etc?As acções destes jovens já vão para além do terrorismo, um dos princípios básicos deste tipo de luta pressupõe um ataque acompanhado de uma reivindicação e ameaça das novas acções se a referida não for satisfeita. Nada disto tem acontecido, o que se tem verificado é um comportamento com tendências de guerrilha, neste caso urbana. A guerrilha pressupõe um ataque cego, surdo e mudo, é precisamente a isto que temos assistido.
O meu estimado colega Altino Torres diz-nos que esta situação será o início de uma guerra contra o capitalismo e que por isso os protestos são justificados, discordo, para tentar compreender esta situação é necessário ir ao cerne da questão, ir além da análise superficial, isso é mais complexo, seria como estudar quem nasceu primeiro, se o ovo ou a galinha.
Lembremos que muitos destes jovens, apesar de habitarem em França, não renegam as suas origens, fazem até questão de deixar bem vincadas as suas atitudes e comportamentos, tanto em actos como em palavras, – "jihad, jihad, nós somos mujahedines", para além de o afirmarem comportam-se como tal. Para nós, meros observadores, isto tem que significar qualquer coisa.



